Um beijo de luz na saliva do desconhecido, no quadrado da tua mão, outro
beijo de luz,
e há o corpo, apenas
perdido entre duas estrelas.
E há o corpo, também
Refém de uma pedra.
Pedra e estrelas e luz e o soldado e a espingarda, objectos quase
quase que na lareira a fotografia do soldado, o muro de amarelo pintado,
a espingarda do soldado, o poema
e mais secreto do que a lua,
o rio na mão do comboio
na ansiedade de que noite não sombra.
A sombra também é uma lâmpada destinada ao portão de entrada.
O soldado quase afogado na espuma de uma janela, não.
Também não sombra também não pertencer às pessoas que não têm solidão nos olhos…
E o rio recusando beijar o teu seio, e o soldado
que dispara a bala do dia contra a solidão de uma pedra.
O beijo de luz, aquém do círculo da lua
Aquém do homem-soldado na saliva do dia
uma cadeira com telhado para as nuvens...
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