24 novembro 2024

Um beijo de luz na saliva do desconhecido

Um beijo de luz na saliva do desconhecido, no quadrado da tua mão, outro

beijo de luz,

e há o corpo, apenas

perdido entre duas estrelas.

E há o corpo, também

Refém de uma pedra.


Pedra e estrelas e luz e o soldado e a espingarda, objectos quase

quase que na lareira a fotografia do soldado, o muro de amarelo pintado,

a espingarda do soldado, o poema

e mais secreto do que a lua,

o rio na mão do comboio

na ansiedade de que noite não sombra.

A sombra também é uma lâmpada destinada ao portão de entrada.


O soldado quase afogado na espuma de uma janela, não.

Também não sombra também não pertencer às pessoas que não têm solidão nos olhos…

E o rio recusando beijar o teu seio, e o soldado

que dispara a bala do dia contra a solidão de uma pedra.

O beijo de luz, aquém do círculo da lua

Aquém do homem-soldado na saliva do dia

uma cadeira com telhado para as nuvens...


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