27 novembro 2024

Sobre o rio recusando beijar o corpo

 

Sobre o rio recusando beijar o corpo, apenas
pertencer ao meu lado esquerdo e eu serei a terra toda dentro do sítio exacto onde tenho o meu olhar, tocar na tua mão quase, milímetros quase
quilómetros de uma pedra na rua do teatro,

Sobre o rio recusando a casa não habituada não habitada, os cigarros são de luz, migalhas de uma janela amada para o sótão, mas
quase que morria sabendo que não têm corpo os poemas que te escrevi, e acreditando que não leste nenhum deles, eu escrevia e
sentia sobre a secretária a ausência do soldado que não tinha nada a não ser,
muito sono.

Sobre o rio recusando beijar o corpo, apenas a terra toda uma lâmpada destinada ao fracasso que não é uma janela nem tão pouco ou de nada servir uma porta de fumo.
Será o pão sinónimo de poesia?
Depois sobre o rio recusando beijar o corpo, a minha sombra vestida de primavera andorinha; para que servirá o açúcar do poema?

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