O amor,
Entre um prato e um talher, anos e anos a cruzarem-se nas escadas do prédio,
E nunca tinham trocado um bom dia,
Boa noite, vizinho
Olhe, feliz aniversário. Anos e anos juntos
E nem um simples olhar, e provavelmente,
Será o prato o primeiro a partir, pois o talher é um metal qualquer,
Adquirido na Temu.
E ficará só, o talhar.
E ficará apenas o olhar.
O amor,
Entre a sagrada família e uma criança. Quanto a isto,
Nada
A dizer.
E ficará apenas a esperança.
E erguer-se-á, a criança.
O amor,
Entre uma roda dentada e um parafuso de pressão, quanto a mim,
Está resolvido o problema complexo deste amor; assassino o parafuso de pressão…
E fujo,
Com a roda dentada,
E mesmo assim,
Ainda há quem duvide deste louco amor.
O amor,
Entre uma carta perfumada, uma algarvia e um transmontano,
Já somos muitos,
E nunca poderá dar certo.
E nunca haverá criança.
O amor, à nascença
Entre o olhar da mãe e o barulho ensurdecedor,
Do filho,
E mesmo assim,
Ele sabe que aquela mulher,
É a sua mãe.
O amor entre um zé-ninguém
E um embondeiro,
Tal como a carta perfumada, a algarvia e o transmontano,
Também,
Também nunca poderá dar certo.
Porque o zé-ninguém não o quer
E também,
E também não é lá muto esperto!
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