05 outubro 2024

telas de fogo

 

o tecto desce

e o longínquo corredor emagrece

 

das portas nascem telas de fogo

com lápis de cor

e canetas de tinta permanente

 

olho os aparos

 

fascina-me o negro das palavras

no silêncio das luzes de incenso

 

olho os aparos

e o tecto desce até mim

e poisa nas minhas costas de xisto

e oiço o ruído das paredes

 

das portas o longínquo corredor

à beira do precipício do beijo

nos lábios de uma janela

os plátanos sentados no desejo de algodão

 

o tecto desce

e as paredes incham

envelhecem

e tombam sobre o rio da solidão