o tecto desce
e o longínquo corredor
emagrece
das portas nascem telas
de fogo
com lápis de cor
e canetas de tinta
permanente
olho os aparos
fascina-me o negro das
palavras
no silêncio das luzes de
incenso
olho os aparos
e o tecto desce até mim
e poisa nas minhas costas
de xisto
e oiço o ruído das
paredes
das portas o longínquo
corredor
à beira do precipício do
beijo
nos lábios de uma janela
os plátanos sentados no
desejo de algodão
o tecto desce
e as paredes incham
envelhecem
e tombam sobre o rio da
solidão