02 outubro 2024

Quando o vento adormece dentro do desejo

 

O azul da manhã

poisado na tela silenciada da solidão

a encarnada dor nos braços circunflexos dos plátanos

entre as pálpebras do meio-dia

e os olhos do cansaço

 

o amarelo flor

dos lábios da preguiça

nos seios do rio

 

o azul da manhã

em barcos de papel

e papagaios de infância

quando o vento adormece dentro do desejo

 

o azul

na tela da solidão

poisado em ti

dos olhos cansaço

as artérias entupidas de palavras

e versos

e saudade

e azul da manhã.

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