21 outubro 2024

Penúria montanha

 

Fui ver o oceano mar

que o inverno coração tece nas montanhas da paixão

levitei sobre as rochas cansadas de uma madrugada doente

e demente flor em procissão no corpo teu das estrelas com sabor a chocolate

fui ver.… e permaneci em tempos têmporas adormecidas dos cascos violentos...

tempestades e tormentos e nas mãos tuas as delinquentes barcaças dos tecidos velas,

 

Será do teu corpo que acorda a fome em palavras dispersas e vãs

que das teias de aranha silêncios meus porque tenho lábios de areia

e boca de caverna sem esconderijo ou amor ou amar dos versos embriagados

fui e desejo não regressar às antigas ruas dos candeeiros dispersos

como as minhas folhas transparentes de pergaminho voando sobre plátanos

e corpos nus brincando numa praia imaginária,

 

Há beijos vendidos por duas ou apenas três perversas rimas

beijos cansaços como velhos farrapos de barcos aços

guindastes e seios de xisto embalsamado que se suspendem nos socalcos da loucura

grito e rio sorrisos que o Douro entranha

teu ventre uma penúria montanha

cabisbaixo o púbis fingindo ventos que me levam às cidades de granito...

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