04 outubro 2024

Arte de navegar

 

Um muro de silêncio separa-me do mar

invisível

com ondas de sabão

e marés de açúcar

 

oiço as mentiras da minha vida

(e percebo que o teu mar não entra pela janela [AL Berto]

e daqui até ao dia14 de Janeiro...

portanto eu desconfio que se disser mar em voz alta

o mar não vai entrar pela janela)

não existe o mar

nem existem as palavras que me escrevem

nos lençóis de linho com corações de mel

e amêndoas de chocolate

e eu escondia-me dentro do infinito

 

não existem as estrelas penduradas

no tecto da tenda do circo da noite

onde se cruzam e entrelaçam mãos ensanguentadas de poemas

e lábios de mentira

não existe o amor

a paixão

o mar não existe e é impossível escrever nas cordas do ciúme

onde habitam os mortos sem coração.

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