20 outubro 2024

Ao longe a ponte a fome o desejo de

 

Às vezes

queria virar as costas

aos livros desassossegados

que vivem no meu rio

 

às vezes

virar as costas

queria libertar-me das correntes marítimas

e dizer não

coragem

 

no meu rio

sinto a calçada desaparecer entres os cacilheiros

 

esquecem-se de mim num banco de jardim

ao longe

a ponte

a fome

o desejo de abraçar as gaivotas

e os cigarros do fim de tarde

 

às vezes

virar as costas

ao longe

a ponte

quando se suicida a tarde em mim.

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