Às vezes
queria virar as costas
aos livros
desassossegados
que vivem no meu rio
às vezes
virar as costas
queria libertar-me das
correntes marítimas
e dizer não
coragem
no meu rio
sinto a calçada
desaparecer entres os cacilheiros
esquecem-se de mim num
banco de jardim
ao longe
a ponte
a fome
o desejo de abraçar as
gaivotas
e os cigarros do fim de
tarde
às vezes
virar as costas
ao longe
a ponte
quando se suicida a tarde
em mim.
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