26 outubro 2024

A verdade

 

Digamos,

Que nada é aquilo que parece, digamos que posso ter e parecer,

Quando desaparecem as pequenas lanternas que assombram a minha luz,

Digamos que nada acontece por ter de acontecer, sabendo eu

Que talvez logo à noite,

Quando todos estiverem a dormir, eu

Digamos

Que encontrarei o sorriso que

Digamos,

Não tenho.

 

Digamos que estou entalado entre um insignificante parêntesis recto

E

Um ausentado

Ponto de interrogação. Digamos que escrevo aquilo que sinto e que muitas vezes, nada sinto

A não ser

Um pequeno formigueiro num dos dedos do pé.

 

E o perfume que ouvi dizer, digamos que depois do sono

Saberei encontrar,

Se é que eu existo ao ponto de encontrar alguma coisa,

Digamos que só o silêncio me é permitido, e digamos,

Sejamos francos e honestos

Saberá o louco distinguir um insignificante parêntesis recto

E

Um ausentado ponto de interrogação?

Quando me pergunto, e digamos que deixei de pertencer às coisas comestíveis da manhã,

Porque digamos que sempre que

Não, ela não vem depois das autenticas abelhas sonoras,

Deitarem-se sobre uma cama de limalha,

Que digamos,

Só poderá pertencer ao destino.

 

Digamos que não o sei…

Digamos que nunca saberei,

A verdade.

Digamos, sejamos francos e honesto,

Digamos que apenas quero a verdade.

É verdade?

Digamos então, sejamos francos

E

Honestos.

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