Nunca o meu sexo até então tinha sido acareciado por um homem,
Sexta-feira, era greve de transportes, Lisboa fervilhava, de pessoas e de carros, e tinha menos de trinta minutos para apanhar o comboio em Santa Apolónia, e mesmo correndo, nunca chegaria a tempo, chovia uma fina película de saudade, de casa, dos amigos. Na altura tinha amigos. Hoje não tenho nenhum amigo.
Comecei a correr, às vezes atravessava a avenida, feito louco, às vezes olhava para o rio e pedia-lhe um desejo.
Um automóvel apitou, eu olhei, o vidro baixou, para onde eu ia, Santa Apolónia, ele que sim, eu entrei. Aos poucos, em soluços, o trânsito infernal, e parecíamos um caracol. De onde eu era, que era de Alijó, o que eu fazia na tropa, e percebo que o meu sexo estava a ser apalpado, juntei os joelhos, as carícias aumentavam,
O meu sexo começou a diminuir de tamanho, comecei a transpirar, pensei em foder-lhe os cornos, eu logo que não, porque ele era militar e muito bem graduado,
E quem se fodia era o fontinha. Começo a ver ao longe Santa Apolónia, e pensei, no primeiro vermelho, abro a porta e salto,
Contra o rio.
Consigo finalmente libertar o meu sexo das garras do desejo.
Faltavam sete minutos para a partida, e ainda não tinha bilhete. A bilheteira tinha fila, consegui convencer a menina que estava a ser atendida a dar-me a vez,
Muito obrigado,
Entrei no comboio faltavam dois minutos; nesse fim-de-semana não tive uma única ereção.
Estranha, a mão do homem
Que acariciava o meu sexo.
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