04 julho 2024

Cerejas da Primavera

Abraça-me,

Enquanto a noite dorme nos teus lábios

E as palavras nas tuas mãos

São gladíolos em revolta,

Abraça-me,

 

Como se no mar habitasse a madrugada,

Como se o mar fosse a madrugada do teu corpo em flor,

Abraça-me,

Enquanto nos teus olhos brincam as cerejas da Primavera

E o meu corpo é uma jangada desgovernada…

 

Abraça-me,

Como se abraçam as árvores após a tempestade,

Abraça-me,

Enquanto há luar nos teus cabelos

E os teus cabelos são nuvens coloridas,

 

E os teus cabelos são a espuma do amanhecer,

Abraça-me,

Abraça-me como se abraçam os poemas

Na caneta do poeta…

Do louco poeta,

 

Abraça-me,

Enquanto a noite dorme nos teus lábios

E os teus lábios são um rio,

São o meu rio…

O rio da minha poesia.

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