Abraça-me,
Enquanto a noite dorme
nos teus lábios
E as palavras nas tuas
mãos
São gladíolos em revolta,
Abraça-me,
Como se no mar habitasse
a madrugada,
Como se o mar fosse a madrugada
do teu corpo em flor,
Abraça-me,
Enquanto nos teus olhos
brincam as cerejas da Primavera
E o meu corpo é uma
jangada desgovernada…
Abraça-me,
Como se abraçam as
árvores após a tempestade,
Abraça-me,
Enquanto há luar nos teus
cabelos
E os teus cabelos são
nuvens coloridas,
E os teus cabelos são a
espuma do amanhecer,
Abraça-me,
Abraça-me como se abraçam
os poemas
Na caneta do poeta…
Do louco poeta,
Abraça-me,
Enquanto a noite dorme
nos teus lábios
E os teus lábios são um
rio,
São o meu rio…
O rio da minha poesia.
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