14 maio 2024

O meu corpo

O meu corpo é um farrapo de insónia

os meus ossos são pedaços de tristeza, que voam sobre as lápides da madrugada

o meu corpo gagueja, inventa manhãs de alegria, em palavras

ou em outras madrugadas

o meu corpo é um farrapo mergulhado na dor

é uma estrela negra, e fria

e não vê os sapientes da noite.

 

O meu corpo é um líquido comestível, ou bebível

ou apenas poético.

O meu corpo é uma charrua que lavra o vento

quando a chuva cai na eira de Carvalhais.

O meu corpo…

Não, eu já não tenho corpo.

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