Converso com a terra-sepultura fria a minha voz. Há um dia
sulfuroso, uma pedra que
é uma parede, invisível
da tua voz triste.
A terra-sepultura, em
viés amanhecer, pergunto-lhe porque não cantam hoje os pássaros, que
hoje a Primavera está
cinzenta, que lamenta, a ausência…
Da tua voz.
Punhal que esquarteja
cada flor da madrugada, que uma raposa se envenena com o veneno do sono,
coisas
que brilham só quando a
noite está presa no teu olhar; a água
dissipa-se como o fumo de
um cigarro
e dorme junto ao rio.
A terra-sepultura
mergulha a minha voz nas lágrimas de uma parede, de uma árvore quase a sorrir,
quase a ser pássaro
nesta viagem sem retorno;
vamos enterrar esta voz de sono no sono que só a insónia sabe acariciar.
O chocolate derrete-se
nos meus finos dedos de gastalho envenenado, se a luz o é
as nossas vozes se
beijarão dentro deste turbilhão de pétalas.
Cantarão as trombetas dos
cortinados de linho. Assim parece, a milimétrica carícia nos teus olhos,
Sabe-se que as primeiras
flores da manhã já acordaram, e converso com a terra-sepultura, no folego meu
destino;
Ser um papagaio em papel,
apenas eu, na escuridão do dia.
Que o dia te seja meu,
quanto místicos poemas se lançarão contra as janelas dos teus lábios!
(07/04/2024)
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