segunda-feira, 15 de abril de 2024

São quase horas

São quase horas, estão em visita, as horas

São quase estrelas, são quase mentiras

São todos os relógios, são todas as horas

Vítimas do meu sofrer, na mendicidade deste corpo

Descendo cada vez mais fundo

Ao mais fundo que tem o poema

 

São quase horas, são quase mortes, são quase corpos

São quase manhãs que esperam outras tantas quase

Madrugadas

Mesmo eu sendo um quase engenheiro

 

São quase horas, são quase palavras, são quase feridas

Manhãs sofridas, acendalha que transporta o vento para a janela

E ao final do dia

O silêncio fiscal de uma polvorosa lua

 

Sou quase gente, sou quase paixão, sou quase amado

Sou quase círculo de luz com olhos verdes

Sou quase eu, quando só a noite percebe porque choravam as acácias da minha infância

 

São quase horas, as horas

 

 

(Francisco – 15/04/2024)

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