04 abril 2024

Oceano de insónia



Eram vinte e cinco

Doze não sabiam que o eram

Três eram-no e acreditavam que não o eram

Nove eram-no de facto

O outro que falta

Morreu enquanto fazia amor com uma pétala de rosa

 

Eram vinte e cinco na totalidade

Depois da morte

O jardim começou a desfalecer

Tinha manhãs de febre

Tinha noites horrorosas em suores frios

Eram vinte e cinco

E apenas um

Um apenas sabia que o trevo se escondia no campo

 

Eram vinte e cinco barcos neste oceano de insónia

Dentro desta escuridão a que as árvores apelidaram de tristeza

De solidão

De medo que os vinte e cinco barcos de insónia…

Deixem de ser barcos

E passem a ser…

Gatos.

 

(Francisco)

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