Mãe. Desfazes o almoço no engano do dia
Escondes-te na insónia que traz a noite
Chegas a casa cansada e abres as pernas
depois de doze horas a limpar escadas
E acreditas que a Primavera é uma flor
de esperança
Levas pancada
Humilhada
Às vezes
Mãe.
A lágrima é um sorriso que só o vento
consegue amansar
Foges do sono
Apregoas aos mil ventos
As mágoas do teu dia
Mãe. Inventas demónios para protegeres o
teu filho
Desenhas silêncios numa alcofa de prata
Quando o capim agradece o pequeno-almoço
Mãe.
Mil e uma noites sem dormir
Construindo estrelas na tristeza da madrugada
E acreditando
Que um dia
Também serás mãe
E uma mãe cansada.
(Francisco)
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