05 abril 2024

Mãe

Mãe. Desfazes o almoço no engano do dia

Escondes-te na insónia que traz a noite

Chegas a casa cansada e abres as pernas depois de doze horas a limpar escadas

E acreditas que a Primavera é uma flor de esperança

 

Levas pancada

Humilhada

Às vezes

Mãe.

A lágrima é um sorriso que só o vento consegue amansar

Foges do sono

Apregoas aos mil ventos

As mágoas do teu dia

 

Mãe. Inventas demónios para protegeres o teu filho

Desenhas silêncios numa alcofa de prata

Quando o capim agradece o pequeno-almoço

Mãe.

Mil e uma noites sem dormir

Construindo estrelas na tristeza da madrugada

E acreditando

Que um dia

Também serás mãe

E uma mãe cansada.

 

(Francisco)

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