Ama-la? Se sabes que um orgasmo de suor prevalece sobre a tempestade,
amá-la, sinto as lágrimas
cinzentas das pedras de comer, despede-se de mim, a
morte mineral do
silêncio.
Tenho tanto medo de te
perder, e nunca te tive e amanhã vão cair sobre a mesa, as primeiras palavras
do prazer,
gemem os pratos uivos de
sémen, depois tenho de guardar o rebanho e zarpar para os longínquos mares do
sono.
Amas-me não me amas nem
me desejas? Por isso
tenho nas janelas uns
cortinados pincelados de medo, vêm os pássaros da tua
Primavera,
menina domesticada,
deitada sobre uma cama de feno, suavemente debaixo da ponte,
no sabor do vento.
A criança que se revolta
contra a indiferença de um adulto cabisbaixo, derradeiro meu trigo, amanhã que
sim, tua mão no meu rosto. No meu beijo, indiferente ao teu toque,
tocas-me e aqui ao lado
abrem-se as portas da madrugada,
amo-te, sabias? Sabes?
Que do trigo loiro do teu
cabelo, uma gaivota volta para o mar.
Amei Lisboa, amei o Tejo,
amei mulheres que se esqueciam de mim, quando um cacilheiro, embriagado,
regressava de Almada, e amo-te mais do que Lisboa, mais do que o Tejo e muito
mias do que todos os livros de poesia…
(06/04/2024)
Sem comentários:
Enviar um comentário