terça-feira, 12 de março de 2024

Sufoco

 Sufoca-me o espaço vazio da tua voz, sufoca-me a caravela invisível que se passeia dentro desta casa, dentro desta caverna,

em silêncio,

porquê?

 

Sufoca-me a gravidez deste verso, às vezes suspenso numa parede qualquer junto à taberna, lá fora,

isto, que é quase nada,

venha o vinho,

vende-se a alma, quando há um petroleiro sobre a mesa do jantar,

o som, envia a bexiga para as masmorras, as mãos esvaziam-se, fundem-se numa triste tarde.

Ofendo-me; com os meus calções de infância.

 

Sufocam-me as estrelas, a miséria envenenada por um qualquer livro, um livro de mim, sem titulo, sem nada,

sufoca-me a TV e tudo aquilo que me vê.

raios partam as algemas da noite, que apenas apanham cerejas junto aos teus lábios.

Nada mais.

Sufocam-me todas as palavras que querem fazer amor comigo, detesto as palavras,

sufoca-me a vida, sufoca-me a alegria, o meu corpo,

dentro de uma teia-de-aranha,

tristemente só,

só.

Sufoca-me.

 

(orgasmo literário)

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