22 março 2024

Insónia

Era uma vez um rio que quando acordava a noite se vestia de insónia

Era um rio com muitos braços

Com muitas mãos

Era um rio sem estória

Memória

Era um rio de vergonha

Quando passava sob a ponte.

 

Era uma vez um rio que transportava nos olhos uma lágrima

Era uma lágrima quadrada

Era uma lágrima cansada

De amar uma outra lágrima.

 

Era uma vez um rio com pequenas palavras curvilíneas

Que corria do cimo do papel

Até aos lábios do poema…

Era um rio vestido de insónia

Na presença do luar.

 

(Francisco)

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