dizer-te que as minhas ervas são felizes
como são felizes os sons melódicos das
tempestades de areia
orgasmos invisíveis que as plantas
constroem na penumbra ilha do amor
dizer-te que os barcos são cinzentos
lentos
como o coração apaixonado
como o corpo em desejo
perdidamente perdido
em ti
no teu beijo
dizer-te que as minhas ervas são tão
felizes
que vivem no meu jardim sem o saberem
amam
sofrem
fazem amor no silêncio pôr-do-sol
e dizer-te que tal como as minhas ervas
que não o sabem
também tu
nunca saberás se amo
amei
porque também o teu jardim
é escuro
e tem muitas árvores vestida com
sobretudos verdes
e sofrem e são felizes porque eu...
dizer-te
tu
não acreditarás nas magnólias e sem o
dizeres
dizes-me que amanhã haverá um barco em
regresso
um piano vomitará sons como do terceiro
andar descem pingos de sémen
que o vizinho deixa sobre as ervas da
querida vizinha
tu
não acreditarás em mim
nem saberás que as minhas palavras
vivem
choram
e dormem no meio de nós
como se fossem um Deus à procura das almas
perdidamente perdidas...
(Francisco)
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