26 março 2024

As lâminas da paixão

Meu amor,

Quando os teus seios dormem suspensos nos socalcos do Douro

E o rio se perde na última curva do anoitecer,

Invento-te,

Escrevo-te…

Faço-o sem o saber,

Ou querer…

Sentir em mim as tuas mãos de xisto lacrimejante,

Sentir em mim os teus lábios de uva mendigando os meus lábios de luar…

Meu amor,

Quando o teu olhar se esconde no Pôr-do-sol,

E uma gaivota alicerça-se ao meu peito,

Sinto o teu perfume vaiado sobrevoando todos os cadeados do teu corpo…

Ai… ai meu amor,

Este sol,

Este rio…

E estes barcos em papel,

Inventando sorrisos nas lâminas da paixão.

 

 

(Francisco)

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