15 março 2024

Abraço-me

 

Abraço-me e acorrento-me à neblina

sabendo que quase a regressar da noite anterior

a fotografia dos teus olhos

que vou receber através deste papagaio de papel.

 

Abraço-me e finjo-me de poeta

vestido de mendigo quase só

quase sem-abrigo

quase uma palavra embrulhada no sono.

 

Abraço-me meu amor

à sombra madrugada

às vezes às vezes lágrima.

 

Abraço-me e acorrento-me à neblina

sabendo que quase a regressar da noite anterior

a voz do teu cabelo.

 

(orgasmo literário)

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