29 fevereiro 2024

organos

 


Pintura de Francisco Luís Fontinha


Os organos descalços descem aquela calçada de sono, olham as montras onde dormem as flores, e os canteiros são sinceros com as palavras semeadas,

uma mão de fada-má acaricia um dos organos,

poisa nele a teimosia em ser poeta

que nunca serei poeta.

 

O sémen abre a janela do primeiro óvulo da manhã,

e meu deus!

Quanta despedida para me afastar dos teus olhos,

quão vã a manhã em te abraçar.

 

Os organos, pertencem-me

como me pertence a navalha que rasga o vento,

ou a espada que se crava na ribeira apaixonada.

No entanto,

dizem que estou louco,

mas não será a loucura um espermatozóide no pensamento de uma flor que não me é sincera?

 

Os organos!

Sem comentários:

Enviar um comentário