Pintura de Francisco Luís Fontinha
Os organos descalços descem aquela
calçada de sono, olham as montras onde dormem as flores, e os canteiros são
sinceros com as palavras semeadas,
uma mão de fada-má acaricia um dos
organos,
poisa nele a teimosia em ser poeta
que nunca serei poeta.
O sémen abre a janela do primeiro óvulo
da manhã,
e meu deus!
Quanta despedida para me afastar dos
teus olhos,
quão vã a manhã em te abraçar.
Os organos, pertencem-me
como me pertence a navalha que rasga o
vento,
ou a espada que se crava na ribeira
apaixonada.
No entanto,
dizem que estou louco,
mas não será a loucura um espermatozóide
no pensamento de uma flor que não me é sincera?
Os organos!

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