28 fevereiro 2024

Cabelo em poema

 

Gosto das tuas coxas.

 

Admitindo já que não sou um grande fã de coxas, que prefiro mais uma mulher vestida de poesia, de cabelo em poema

Do que umas coxas, vestidas de mulher ou disfarçadas de espelho matinal.

 

Mas pronto, gosto das tuas coxas e nada mais há a fazer dentro deste pequeno círculo,

Os cento e oitenta graus e alguns segundos do arco madrigal das amendoeiras em flor, com a tua lágrima na fechadura deste medo de voar sobre o mar,

Fascinam-me.

Como as tuas coxas,

Me fascinam.

 

Mitologia do gaguejo que apenas as pedras sabem a raiz quadrada de cento e quarenta e quatro…

Doze pássaros de sono, na credibilidade do avô Domingos.

Os machimbombos vociferavam pastinha elástica quase corrente eléctrica, quase fotão dentro dos teus olhos,

Que o poeta se confessa

Que ama:

A poesia da tua pele.

 

Gosto das tuas coxas!

 

Gosto das tuas coxas enfeitadas de marfim, capim marginal que o meu corpo esconde,

Mas gosto mais da poesia que trazes vestida,

Mas gosto mais,

Do teu cabelo em poema.

 

 

28/2/2024

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