29 fevereiro 2024

azul voz

 

Podias ser a palavra

que apedreja o meu olhar

podias ser o vento que constrói o meu sonho

e não me deixa acordar

podias ser a madrugada disfarçada de sentinela

podias ser o meu poema

podias ser a minha caravela

que brinca no mar

 

Podias ser o azul da voz

que escreve na minha mão

podias ser o outro lado da lua

quando a lua

é pertence do teu coração

podias ser a alegria

podias ser o pão

 

Podias ser o dia

podias ser Lisboa e o Tejo

podias ser todas as pontes

e todas as ruas

da minha cidade,

podias ser vergonha

de eu ter vergonha

podias ser a loucura

podias ser um campo de trigo

loiro como vento

nos braços da ternura

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