Uma mesa e quatro cadeiras à procura de
trabalho
um faqueiro
com os dentes em dor
uma cozinha desesperada
pela perda do almoço.
Uma cidade de guardanapos à mercê de um
incêndio
que um prato de sopa
deixa sobre o lençol toalha.
Quatro bocas fotografam o jantar
uma travessa se lança ao mar do estrugido
uma
sóbria salada de alface
foge da mesa
e senta-se nos rochedos do lava-loiças.
Uma cebola
apaixonada pelo azeite
e é quase dia
e é quase almoço.
Uma mesa e quatro cadeiras à procura de
trabalho
um destino queimado no fogão da paixão
que nos lábios de uma bilha de gás
vomita…
pedacinhos de batata, massa e arroz
disparado pela espingarda da cozinheira.
Almoço.
Sem comentários:
Enviar um comentário