27 dezembro 2023

Seara nublada

 

Baloiço-me dentro deste mar de seara nublada, da imensidão ao infinito do teu olhar,

Baloiço-me nesta pedra vertebrada

Com braços de incêndio,

E percebo que este mar de seara brava

É o esconderijo dos teus lábios.

 

Baloiço-me na parede do silêncio, e todas as tempestades que me assombraram, hoje, são apenas tempestades,

Que já passaram.

Baloiço-me incessantemente no infinito do teu olhar

Quando deixei um barco estacionado junto ao cais da saudade,

Baloiço-me neste mar,

E caminho na areia azul do meu tormento,

E uma dúzia de búzios querem de mim…

O papagaio em papel que esqueci na boca do vento.

 

Baloiço-me dentro deste mar longínquo, camufladas magnólias que brincam no teu sorriso jardim.

A ponte, a travessia para os teus braços, quase que ensanguentada acorda, quase…

E baloiço-me nas mandibulas dos primeiros pingos de chuva da manhã…

Quase que é chuva,

Quase que é manhã.

 

Baloiço-me nos teus beijos,

Em mar de seara nublada,

Nos teus beijos….

Que são quase a madrugada,

Mas nunca serão a madrugada…

Tão pouco são esta seara nublada.

 

Baloiço-me, fico estonteante

De tanto baloiçar…

Tão quase…

Quase a erguer-me deste mar doente…

De seara nublada, de seara ausente.

 

 

 

27/12/2023