Baloiço-me dentro deste
mar de seara nublada, da imensidão ao infinito do teu olhar,
Baloiço-me nesta pedra vertebrada
Com braços de incêndio,
E percebo que este mar de
seara brava
É o esconderijo dos teus
lábios.
Baloiço-me na parede do
silêncio, e todas as tempestades que me assombraram, hoje, são apenas
tempestades,
Que já passaram.
Baloiço-me
incessantemente no infinito do teu olhar
Quando deixei um barco
estacionado junto ao cais da saudade,
Baloiço-me neste mar,
E caminho na areia azul
do meu tormento,
E uma dúzia de búzios
querem de mim…
O papagaio em papel que
esqueci na boca do vento.
Baloiço-me dentro deste
mar longínquo, camufladas magnólias que brincam no teu sorriso jardim.
A ponte, a travessia para
os teus braços, quase que ensanguentada acorda, quase…
E baloiço-me nas mandibulas
dos primeiros pingos de chuva da manhã…
Quase que é chuva,
Quase que é manhã.
Baloiço-me nos teus
beijos,
Em mar de seara nublada,
Nos teus beijos….
Que são quase a
madrugada,
Mas nunca serão a
madrugada…
Tão pouco são esta seara
nublada.
Baloiço-me, fico
estonteante
De tanto baloiçar…
Tão quase…
Quase a erguer-me deste
mar doente…
De seara nublada, de
seara ausente.
27/12/2023