Visita-me o dragão da
noite e traz com ele os teus olhos,
São dois pedaços de fogo,
horário em rotação quando dentro deste cubo de vidro, onde habito, acordam os
teus lábios,
Dou-te beijos,
E desenho palavras no teu
cabelo.
Às vezes, odeio o dragão
da noite.
Às vezes, amo o dragão da
noite, como te amo, serpente da manhã. É tão triste, saber que no meu jardim há
falsas flores, com falsas cores,
Às vezes, peço ao dragão
da noite que me traga também o silêncio e as espadadas do general, espetava-as
no peito,
E voava para os teus
braços.
Habito nesta vida de engano,
de tristeza, onde durante a noite recebo a visita do dragão, onde durante a
noite, sentado numa cadeira, olho o relógio que alguém que já cá não está
esqueceu na parede da sala,
E deixo de contar as
horas;
Apenas os teus olhos são
estrelas.
Visita-me o dragão da
noite e, com ele, vêm as canforas ribeiras do outro lado da rua, uma menina
espera o autocarro, tem saia azul e camisa com falsas flores, aperta o cabelo
com um fino fio de silêncio, e parece feliz, e atá parece que tem os teus olhos
no rosto…
Da cor do fogo, meu amor!
27/11/2023
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