05 junho 2026

Todos os dias

Todos os dias, nascem estrelas

Todos os dias, morrem estrelas

Todos os dias, nascem amores

Que também morrem, todos os dias

 

Todos os dias, há flores

Há jardins, todos os dias sem flores

Todos os dias, há uma noite dentro de mim

Que também morre, todos os dias

 

Todos os dias, há um olhar que odeio

Que todos os dias, há luz falsa invisível à manhã

Todos os dias, nascem crianças

Que todos os dias, também sofrem crianças

 

Que todos os dias, há uma mãe desesperada

Que todos os dias, há uma mulher triste

E todos os dias, cansada

Todos os dias, nascem estrelas e morrem amores, todos os dias

 

05/06
00:51


Quando estamos sozinhos, e que tínhamos

Quando estamos sozinhos, e que tínhamos

Quando estamos sozinhos, e que sentíamos

Sentíamos a lâmina da espada em fria garganta

E trazíamos no peito, na jangada de um olhar

A alegria em termos

No sentir

No despir

Quando sozinhos estávamos

E a bala amordaçada, finalmente

Finalmente é disparada

 

05/06
00:38

04 junho 2026

Abílio, Abílio meu poeta gato infiel

Abílio, Abílio meu poeta gato infiel

O que tens tu, Abílio aflito

Que tão aflito que estás

Que não sendo eu gato nem poeta, Abilio

Sinto-te triste, meu amigo

 

Meu amigo Abílio gato invisível poeta, Abílio

Que quase noite que és e o serás

E daí nunca passarás, é a vida, meu querido amigo gato poeta, Abílio

Sentindo no cu o ardume do silêncio

E na boca o fogo dos cigarros

 

Gato és preto és poeta és Abílio és infiel és gato

E olhas do cimo do monte, a espuma

O vinho em cadeia, derramando pedras

Se erguendo, se escondendo no buraco da sombra, Abílio

O sinto, meu amigo Abílio

 

04/06
21:42

Vulgarmente o nome do mar é o pincelar do teu olhar
Vulgar, indeciso como o vento quando semeia no teu sexo a mão que te deseja
Que também ela é vulgar como o nome do mar, e tão vulgar como o pincelar vulgar,
Do teu olhar

Vulgarmente o meu nome também é vulgar, como o nome do mar, como todos os nomes, vulgares
Como são vulgares o pincelar dos teus olhos e de todos os outros olhares
Que são vulgares, como a tarde no silêncio dos teus seios
Que também vulgares o serão, como todos os lugares
Como todos os mares e todos os seios
E todos os sonhares
Vulgares

Deito-me na divina vagina da noite

Deito-me e sinto a voz, a tua voz quase esfinge

Quando o infinito é o recomeçar e o acordar

De me sentar, e em te olhar

 

E em vez de te amar, eu preciso tanto de te odiar

E que me deito na divina vagina da noite

Fugindo do feitiço do teu olhar

E procurando o sorriso do mar

 

04/06
17:29

Talvez nunca te diga o nome daquele barco

Também porque quererias tu saber o nome daquele barco

Se nada de mim te interessa

Se nada do que tenho em nada ter te interessa

 

04/06
16:24