Mostrar mensagens com a etiqueta trigonometria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta trigonometria. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Uma equação qualquer sem tempo para amar


Regressa a noite,

Depois… depois acorda a saudade embrulhada num lençol de linho,

As fotografias suspensas na parede da sala…

Cerram as janelas,

Desligam os interruptores do silêncio,

Brincam as vozes dos tristes alicerces que sustentam o meu corpo,

Pareço uma bailarina em busca dos holofotes do desejo,

Entre círculos e espelhados momentos angulares,

Eu…

Eu… eu me perco nos teus braços,

Deixei de desenhar sorrisos na alvorada,

Deixei de escrever palavras nos muros invisíveis da minha aldeia,

 

Deixei…

Deixei de pertencer ao limo envenenado na madrugada,

Tenho uma bandeira na mão,

Tenho na outra mão… nada,

Uma pedra,

Uma enxada…

Calcinada

Pelos ventos trigonométricos do amor,

 

Regressa a noite

E não tenho tempo para embriagar sonhos,

Não me importo de não ter sonhos,

Nome,

Cidade para habitar…

Regressa

E traz com ela outra noite,

Outro momento angular que me sufoca,

E sinto na minha algibeira o mar

Encalhado nos rochedos dos teus seios…

Pego na equação das tuas coxas

E construo um foguetão…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 8 de Setembro de 2015

terça-feira, 8 de abril de 2014

Flores triangulares


Percebo que as equações do meu corpo não têm resolução,
sou um aglomerado de números complexos, integrais duplas e triplas, habitam nos meus braços,
percebo que tenho um sorriso em granito, e sei que nas quadrículas do meu peito...
suspendem-se as infinitas cordas paralelas do nylon madrugada,
um imbecil programado, um corpo onde se misturam os algoritmos de Fortran e as raízes quadradas do obscuro olhar, sem sentido, único, proibido estacionar o meu corpo em cima do passeio da solidão,
cruzo os braços,
e pergunto-me...
o que faz o poema sem nome dentro do silêncio amanhecer?
sem prazer,
a vida é um fluído em escoamento permanente...
em direcção ao mar,
em construção... como corpos geométricos procurando amor nas flores triangulares...


Francisco Luís Fontinha – Alijó
Terça-feira, 8 de Março de 2014

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

(imagem tua estampada no rosto inverso do vidro...)

foto de: A&M ART and Photos

A imagem tua estampada no rosto inverso do vidro
vêem-se de ti os cabelos da madrugada trigonométrica procurando senos e cossenos
e dentro do círculo trigonométrico
os teus tristes lábios em três quartos de pi radianos
a imagem acorda em ti e cansa-se do silêncio transferidor
e as lágrimas envergonhadas como pedras fundeadas na ribeira do Adeus
desaparecem ao amanhecer
tenho medo confesso-lhe
e ela desesperadamente
desenha-me na ardósia manhã como beijos tangenciais ao quadrado do Amor
o rio flui até encostar-se à fórmula fundamental da trigonometria...
e percebo que o seno ao quadrado de alfa mais o cosseno ao quadrado de alfa é igual à unidade... a (imagem tua estampada no rosto inverso do vidro...)

Imagino-te nua sem saberes que no espelho encarnado vivem gaivotas veleiros
e pernaltas petroleiros

A imagem tua estampada no rosto inverso do vidro
a equação da Saudade desfaz-se em pedacinhos papeis...
que voam em direcção ao infinito onde se abraçam rectas paralelas e ventos circunflexos
corpos incandescentes ardem como ângulos adormecidos
há lareiras em desejo na janela da noite
quando os versos transformam-se em sanduíches de nada
e do nada
a tua imagem sem saber que as integrais triplas são amantes dos cossenos hiperbólicos...
a matriz transposta invade o púbis da matriz inversa
choras...
dormes... como uma criança deitada na equação diferencial da paixão
e a tua imagem... e a tua imagem esconde-se na lixeira do inferno.


Francisco Luís Fontinha – Alijó
Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014

domingo, 5 de janeiro de 2014

Fotografia sem nome

foto de: A&M ART and Photos

Perspectivo-me sobre a sombra lâmina do teu sorriso de gaivota sem poiso
há uma linha transversal que nos separa e aproxima
como uma fotografia sem nome na mão do louco muro em xisto
desço às fronteiriças margens do desejo
desço até que sou engolido pelo cosseno de trinta e cinco graus dos teus lábios...
desejarás-me ainda depois das equações diferenciais dormirem dentro dos quadriculados cadernos?
Invejo-te a liberdade
e os voos nocturnos quando se esquecem de ti e tu
e eu
suspensos no estendal das sílabas poéticas que o veneno da tua boca alicerçou na tempestade
há em nós uma circunferência de luz com braços de areia
húmidas todas as palavras dos anzóis do medo das sanzalas com vozes de zinco
com olhos de fome...
e chove
chove sobre o teu corpo de nylon onde se abraçam os barcos desvairados quando o vento se entranha no amor e nos transporta para o infinito
e lá ao fundo... a sombra lâmina do teu sorriso de gaivota sem poiso.


(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha – Alijó
Domingo, 5 de Janeiro de 2014

sábado, 23 de novembro de 2013

os triângulos insectos

foto de: A&M ART and Photos

os triângulos insectos que o sofrimento padece
quando lhe pertencem as tuas mãos de andorinha selvagem
os senos inventados dos lábios em engrenagens que à tua boca atracam
e se afundam como serpentes cordas em nylon emagrecido que a madrugada alimenta
os triângulos insectos que se alicerçam ao teu peito
bebíamos pétalas de silêncio em efusão de sílabas desastradas como pedras de calçada...
havíamos roubado todos os barcos naufragados das avenidas embriagadas
entravam em nós marinheiros e meninas de mini-saia doirada com círculos encarnados
pensávamos que era o rosto da lua
mas a lua nunca foi encarnada
mas a lua nunca pertenceu aos barcos envergonhados das avenidas embriagadas...
então?

(os cossenos dos teus seios dentro de tristes equações diferenciais
depois
havíamos roubado todos os barcos naufragados das avenidas embriagadas
e ficávamos com as tangentes do sofrimento que sobejavam das flores do medo...)

então
então pensávamos que o seno hiperbólico da saudade vivia no mesmo quarto que os beijos cansados
dos triângulos insectos em teus cabelos mergulhados na geada cristalina da montanha dos peixes...
então...
então víamos o regresso da paixão em ensonadas linhas paralelas
então...
ouvíamos os uivos grunhidos dos corpos em movimento uniformemente acelerado
parávamos em frente aos telhados de zincos dos guindastes da pobreza...
então...
então percebíamos que as palavras escritas nos quadriculados cadernos...
eram os encarnados círculos disfarçados de cossenos parvos
disfarçados de senos loucos que a trigonometria inventou para nós...


(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha – Alijó
Sábado, 23 de Novembro de 2013

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

rochedo da saudade

foto de: A&M ART and Photos

no rochedo da saudade vive o teu meu coração repatriado
escondíamos-nos do amanhecer quando todas as estrelas cessavam de brilhar
quando sentia o teu sorriso no espelho da paixão
comestíveis beijos insufláveis desciam das árvores em solidão
no rochedo da saudade
vivia
amava
e comestíveis beijos com esqueletos de prata

no rochedo da saudade vive o teu meu cansaço
quando tínhamos noites intermináveis sentados num banco de jardim
conversávamos sobre tudo e sobre nada
e sentia o brilho do teu olhar
como uma donzela tela
pincelada com acrílicas cores
depois tínhamos a sombra dos plátanos
de livro na mão

liam-nos poemas
escrevíamos-lhes poemas
sentados num banco de jardim...
e imaginávamos à nossa frente o palpitar do rio furioso por ter perdido o mar
víamos veleiros pintados na claridade da aurora boreal em comestíveis chamas de suor
liam-nos poemas
escondidos caracteres minúsculos sobejavam das rosas de papel
e diziam-nos que a lua amava o silêncio

como nós
um piano vadio brincava no soalho da biblioteca
e tínhamos acabado de regressar das montanhas alicerçadas às gaivotas desgovernadas
sentadas
como nós
num simples banco em madeira
e liam-nos poemas
e escrevíamos-lhes poemas como se fossem migalhas de pão depois do pequeno-almoço...

não acordávamos porque a noite embriagava-nos com palavras
textos
e comestíveis beijos
e poemas
por comestíveis pinceladas acrílicas saborosas que os teus lábios iluminavam
e víamos o rochedo da saudade
chorar
e pigmentos sólidos de vento balançavam nos teus cabelos de limalha incandescente...

não sabíamos que existia a teoria da relatividade
e desconhecíamos a trigonometria
pensávamos que os círculos eram mulheres deitadas
nuas
sobre a geométrica cama com lençóis de porcelana
e lá
no teu peito
os rochedos da saudade vomitando cinza de velhos cigarros como poemas envenenados pelo ciume...


(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha – Alijó
Sexta-feira, 4 de Outubro de 2013

sábado, 31 de agosto de 2013

as listras encarnadas da solidão

foto de: A&M ART and Photos
espero-te como se fosses a noite e me trouxesses as listras encarnadas da solidão
como se fosses a janela dos meus sonhos
e me trouxesses
a fantasia
e a paixão
revestida
negra
a fome
depois de acordar a madrugada
depois de cessar este empobrecido coração
espero-te
espero-te eu porquê?

depois...
depois o quê?
que não dormes
e que sonhas comigo?
espero-te na esquina da insónia
e tu não és de carne e osso...
como os humanos que aprendi a distinguir e a amar e a odiar...
às vezes
depois
tenho-te medo
que vagueis em mim como os tristes ângulos dos teus lábios
entre senos e cossenos magoados


(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha – Alijó
Sábado, 31 de Agosto de 2013

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

o espaço só e vazio

foto de: A&M ART and Photos

imagino as incógnitas que vivem na tua cabeça
tento perceber as equações do teu empobrecido coração
geometricamente
não consigo determinar a posição do teu corpo no espaço tridimensional...
e tudo parece tão simples
normal
imagino a integral dos teus seios pintados de encarnado
e reflectidos no prisma que se esconde na teoria das cores
dos cheiros
e sabores
imagino a equação diferencial das tuas alegres coxas
quando se despedem da tarde as gaivotas triangulares

imagino o silêncio vestido de negro
caminhando sobre o arame da solidão
lá em baixo o público enfurecido olha-te como se fosses um cartaz perdido no vento
balançando
dormindo
chorando
e imagino as incógnitas que vivem na tua cabeça
os círculos trigonométricos do teu púbis amargurado
cansado de mim
talvez... apaixonado por mim
talvez
porque tridimensionalmente... não consigo determinar-te no espaço só e vazio


(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha – Alijó
Quinta-feira, 29 de Agosto de 2013

terça-feira, 25 de junho de 2013

O gato “Orlando”

foto: A&M ART and Photos

Um círculo de espuma
no centro sombrio de uma tela mergulhada em insónia
junto à fronteira que separa a noite do dia
o mar rasurado misturando-se em lágrimas e pequenos silêncios de papel...
e de um sofá submerso em sonhos pincelados de sal... ouve-se o gato “Orlando” em gemidos de sono,

Ele inventa a madrugada sobre os telhados de Lisboa
e pinta nas manhãs de neblina a paisagem invisível do rio envergonhado
atravessado por uma ponte rabugenta
enferrujada pelo vento das nortadas entre despedidas e desejadas barcaças
derramando a solicitude em palavras abstractas e insignificantes,

O desejo em tua felina pele voando sobre as árvores do Tejo
confunde-te com gaivotas e pernaltas em pétalas de açúcar
barcos apaixonados
e astronautas
e no final do dia dizes-me que no Sábado vais ficar ausente de mim,

Habituei-me às tuas garras sobre o meu peito em papel-cartão
marinheiro tu saboreando sorvetes de chocolate como broches na lapela do mendigo artista
dormindo sobre a calçada e desenhando nos teus tornozelos as equações trigonométricas da paixão
e procurando ângulos no negro quadro separando a parte real da parte imaginária
os números complexos em ti descendo o corpo do círculo de espuma,

Estás nua
geada de sémen em migalhas de areia
correndo esquinas e travessas em madeira
pilares e vigas
e sorriso algum emerge dos teus lábios de cidade adormecida... vadia e prostituta.

(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Pedes-me “silêncio” e eu escrevo “silêncio” nos teus lábios de noite

foto: A&M ART and Photos

Sombras de ti dentro do espelho cansado em mim
saboreando livros invisíveis com odor a melancolia
um espaço vazio sombrio e escuro
entranha-se-te fazendo em ti a escultura linear da insónia
pedes-me “silêncio” e eu escrevo “silêncio” nos teus lábios de noite vaiada pela lua imaginária,

Pedes-me “amor”
e eu não sei escrever “amor” no teu corpo tridimensional vagueando pelo espaço-tempo
e buracos de minhoca
invento-te nas paredes do fazedor de versos
um transeunte doente com palavras apodrecidas,

Malcriado inocente nas bocas verticais de um triângulo rectângulo
pedes-me para escrever “hipotenusa” nos olhos do tua tangente
perco-me de ti
e não escrevo “hipotenusa” junto ao cateto das tuas coxas de cristal
escrevo-a no seno da tua saudade...

(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha