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quinta-feira, 17 de novembro de 2022

O segredo de se amar

 

Este segredo

Segredo de se amar

Esta pobre flor

Que carregas nas mãos

Em segredo.

 

Segredo de se amar

Quando o Tejo poisa nos teus lábios

Em flor

Da flor

Que carregas em teu segredo.

 

E de segredo em segredo

De cacilheiro em segredo

Essa pobre flor

Flor de se amar

No teu segredo.

 

No segredo do teu olhar

Em segredo

Quando ergues para mim o beijo

Nosso segredo

Em segredo de se amar.

 

Este amor

Que cresce em segredo

No segredo dessa flor

Que transportas nas mãos

Em teu segredo doce mar.

 

 

Francisco Luís Fontinha

17/11/2022

sábado, 11 de janeiro de 2014

… rochedos da saudade

foto de: A&M ART and Photos

Diluímos-nos com os velhos vapores que a solidão alicerça nos rochedos da saudade
habitávamos num fino e escuro cubículo de paixão com telhado de vidro
tínhamos na mão a varanda do suicídio construída com as raízes do medo
e voávamos como serpentes de papel nos cortinados das lareiras sem nome...
éramos o ébano lençol de seda com desenhos bordados a fogo
descíamos das nuvens embebidas em frestas de gesso e pedaços de madeira envelhecida...
fugíamos... fugíamos como loucas pedras em granito esquecidas na espuma do Pôr-do-Sol
inventávamos o mar dentro das nossas veias onde corriam insectos e outros objectos da noite
luzes
néons como venenos que iluminavam a madrugada das livrarias empoeiradas
diluímos-nos com os velhos vapores...
… rochedos da saudade,

Há uma saudade invisível nos socalcos da cidade das marés lunares
um barco de sémen navega sobre a tua pele doirada quando pintada com pincéis de aço
o teu corpo se transforma em fome
os teus braços desassossegam todos os transeuntes mendigos da dita cidade das marés lunares...
uma criança procura chocolates de areia nas algibeiras do segredo
corre como uma lebre talude abaixo
e do sol chegam até nós os prometidos apitos dos vapores que a solidão... alicerça... a saudade...
submerges nos êmbolos loucos dos relógios de parede
saberás abraçar-me?
desejo-te em cachimbos de madeira voando como gaivotas em silêncios de tabaco
o perfume entranha-se nas grades do soalho das pequenas sílabas que dormem no quarto do grito
e uma outra criança chega a ti e pergunta-te... porquê pai?


(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha – Alijó
Sábado, 11 de Janeiro de 2014

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

segredo

foto de: A&M ART and Photos

o segredo transversal das caravelas de nariz curto
ouve-se dentro dos círculos verdes nos desejos andaimes das gaivotas embriagadas...
temos medo do segredo
medo que habitem na vizinha lareira os torneados espantalhos de pedra
o segredo existe
e vive
e dorme...
dorme docemente nas veredas nuvens da sinceridade...
o corpo em segredo estremece
tomba como sonâmbulos ouriços vomitando castanhas
vozes
e palavras em segredo
e palavras
palavras... em medo
o segredo segreda-nos os uivos do desejo poema entrelaçado na alvorada manhã...
escrevem-se as palavras no corpo
(o tal corpo em segredo)
sente-se o medo
e senta-se o medo nas cadeiras de praia sobre a branca areia do Mussulo...
sei que não percebes as minhas palavras de medo
como as outras
as palavras em segredo...


(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha – Alijó
Terça-feira, 3 de Dezembro de 2013